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Vitaminas filosóficas

O livro do filósofo e músico alemão, Theo Ross, Vitaminas filosóficas,foi inspirado num programa de televisão de grande audiência na Alemanha. Inclua estas vitaminas ao Centrum ou Pharmathon, complexos de vitaminas e minerais e perceba como é a melhor prescrição para os desafios do dia a dia.

Vitamina de Epíteto:Verifique o significado de suas opiniões.

Vitamina de Hildegard:Ouvir: exercite o ouvir e o calar.

Vitamina de Sócrates:Saiba que você nada sabe.

Vitamina de Jesus:Não julgues!

Vitamina de Kiergaard:Envolva-se com sua melancolia e aprenda a felicidade dos lírios e das aves.

Vitamina de Teresa d’Avila:Dance descalço!

Vitamina de Èmile Cioran:Ficar em silêncio e ouvir Coltrane.

A vitamina de Sigmund Freud:Transferir amor!

A vitamina de um autor anônimo:Rememore todas as noites os acontecimentos do dia e nunca os esqueça.

Ross nos presenteia também, com Jimi Hendrix,
Quando você tiver se dominado
Venha até aqui onde estou
Vamos ficar de mãos dadas
E assistir ao nascer do sol
Do fundo do mar
Mas antes: você tem experiência?
Você já passou por experiências?

Com <Bob Dylan,Amor, e apenas o amor, faz a Terra girar!
Não importa o que você acha
Você simplesmente não dá conta sem ele
Aceite o conselho de quem tentou.

Faça dele o seu livro de cabeceira, visto que é indicado para melancolia, mau humor, desencontro, insegurança, inveja, perda, desespero, medo, desconforto, tristeza, raiva e você chegará a bendizer a insônia.
PS: para nosso deleite não é livrinho de auto ajuda, é filosofia pura.

Esther

As letras do nosso nome

Disse a escritora Adília Belotti, que as palavras são feiticeiras, ora aproximam, ora afastam. As palavras são feiticeiras e as letras são as poções do feitiço; como as fitas e velas brancas, como os castiçais e o sal marinho, como as estrelas do mar e as conchas, as letras também possuem encantamentos. Juntas, formam palavras, concebem nomes que caminham pela história mantendo vivo o seu significado.
Newton, anglo-saxão, cidade nova.
Esther
,latim, estrela.
Judith,hebraico, louvada.
João
,hebraico,Deus é gracioso.
Marta,aramaico, senhor da casa.
Alexandre
grego,protetor do gênero humano.
Vitor,latim, vencedor,vitorioso.
Luciana
,latim, junção de Lucia e Ana
Ana,hebreu,cheia de graça.
Lúcia
,latim, luz, claridade.
Tiago,forma reduzida de Santo Iago, aquele que suplanta.
Carina
,latim, querida.
Luis,teutônico,guerreiro famoso.
Brian
, celta,colina, montanha.
Um nome, em especial, agrega as letras iniciais de cinco soberanos. Este nome è Carlos.
C
,de Cristo, rei dos reis.
A, de águia, rainha das aves.
R
,de rosa,rainha das flores.
L,de leão, rei dos animais.
O
, de ouro, rei dos metais.
S, de sol, rei dos astros.

Exemplos de Carlos famosos,respeitados e muito queridos:

Carlos Chagas,Médico descobridor da moléstia transmitida pelo bicho barbeiro.
Carlos Drummond de Andrade, o grande poeta do modernismo brasileiro.
Carlos Gomes
, glorioso compositor paulista, autor de várias obras musicais, entre elas a ópera, O Guaraní.
Carlos,Newton
,meu adorado e extraordinário filho.
Carlos, João, meu amado e excepcional irmão.
Carlos, , meu pai, com saudades!!!

Esther

Continho dominical

Era uma vêz minha mãe e seus vizinhos, um casal também idoso. Os três sempre se encontravam nas manhãs de domingo; ora na ida, ora na volta da feira ou da missa.
A conversa rolava sobre Deus, alface e beterraba e os elogios ao sermão do Padre terminavam, quando começavam a reclamar dos preços da feira.
O homem, tamanho familia, atendia pela alcunha de ” nenê” e não havia comentário da esposa ou da minha mãe que ele não considerasse inútil e sem razão. Assim, entre feiras e missas a amizade dos três, ia trillhando o caminho do ” só eu tenho razão”.
Certo domingo, como de costume o bate papo tomava corpo e a esposa do ” nenê”, como sempre fazia, aceitava calada os contras do marido e resignada, elogiava-o. Naquele dia de sol muito quente, movida talvez pela esperança do ” nenê” parar de contrariar , ela pegou suas mãos, carinhosa ou falsamente, e disse para minha mãe:
- por que você não arruma um ” cobertor de orelhas? “
- antes só, do que mal acampanhada, respondeu minha mãe, na ousadia dos seus 90 anos.
Nunca mais se falaram…

Esther

Caderninhos

Uma das imagens mais marcantes da minha infância foram os caderninhos que meu pai fazia com aparas de papel. Linotipista (1), participava comigo seu trabalho, juntando os papéis que sobravam do jornal diário A Gazeta; eram cortados na mesma medida, furados e unidos por um barbante; na primeira folha, sempre escrevia: “ buona fortuna. (2) Estes caderninhos, dizia ele, carregam histórias alegres, tristes, desastrosas, esperançosas, cheias de saudade, espirituosas, falsas e verdadeiras; escreva tudo que achar interessante.
Nasceram assim os primeiros e mais adorados caderninhos que eu tive na vida.
Com certeza, na sua alma de italiano, ele humildemente copiava o Moleskine, marca de cadernos de notas produzida pela empresa italiana Moleskine SRL. Os caderninhos que saíram da Itália, conquistaram o mundo e Michelangello, Da Vinci, Miró, Henry Jones (3) que mantinham suas anotações num Moleskine.
Usufrua do prazer de ter um e, passe a anotar o que realmente é importante na sua vida, porque não vivemos sem nossas histórias.
Se quiser, uma cópia bem perto do verdadeiro Moleskine, deixo aqui um endereço: www.ciceropapelaria.com.br
Tenha na bolsa, um moleskine e uma canetinha fininha da Zoot, práticos e irresistivelmente elegantes e comece a anotar sua vida.

Esther

1- linotipista: de linotipia ( arte gráfica); técnica e arte de compor com linotipo.
Linotipo- máquina de composição tipográfica de caracteres de linhas inteiras.

2- buona fortuna – boa sorte em italiano.
3- Henry Jones, pai de Indiana Jones, interpretado por Sean Connery no filme: Indiana Jones e a Ùltima Cruzada.

Quem de nós não gostaria de beber champagne num barzinho nas calçadas de Paris? nada mais elegante, charmoso e duas vezes chique; o champagne e Paris.
Champagne, o rei dos vinhos, pela excepcional qualidade, e o vinho dos reis, porque era servido na coroação dos reis da França.
Paris, cidade luz, com referência ao movimento do iluminismo ( luz das idéias), que tirou a França das trevas após a Idade Média).
A origem do Champagne é atribuída aos monges beneditinos Dom Pérignon e Dom Ruinard que dominaram a técnica de controlar a fermentação em garrafas, mas foi Nicole Ponsardin, viúva de Felippe Clicquot, quem desenvolveu o método de produção que revolucionou o mercado do deste vinho. Assumiu assim a sua viuvez, no nome do champagne: Veuve Chicquot, apurado também, não concordam?
O champagne é elaborado essencialmente á base de uvas chardonnay, pinot noir e pinot meunier, e sua produção obedece a processo caro e demorado, que vai de dois a cinco anos, ou mais para os muito especiais. São classificados pelo teor de açúcar adicionado na segunda fermentação: doux, demi-sec, séc, extra-sec, brut e extra brut.
Para assegurar essa tradição e exclusividade o nome champagne é um dos mais protegidos do universo de produtos. Sua AOC ( Appellation d’origine contrôlée), que nunca aparece nos rótulos, é a mais rigorosa denominação de origem utilizada na França.
O cinema presta sua homenagem ao mais famoso vinho do mundo em filmes como: A festa de Babette, onde o Champagne Veuve Clicquot, safra 1860 é servido aos comensais. O mesmo acontece nos filmes, Interlúdio, Gilda, Hight Society e Casablanca onde Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, brindam seu amor impossível com Veuve Clicquot, safra 1926. O sutil, O ano do Cometa, que narra a história da filha de um comerciante de vinhos ingleses, que encontra numa adega na Escócia uma garrafa de Jeroboan de Chateau Laffite, safra 1811, que teria pertencido a Napoleão Bonaparte. E ainda, nos doze filmes do Agente 007, James Bond, ele celebra suas façanhas com Bollinger Cuveé.
Relembrando, desde pequeno, meu filho queria visitar os lugares descritos nos livros que começava a conhecer; em um deles, escrevi: ainda que não possa levá-lo a conhecer o mundo, lhe darei livros.
Se não puder conhecer, in loco, os barzinhos de Paris, tome seu Champagne preferido na companhia do último livro de Danuza Leão, Fazendo as malas.
“ Com todas as agruras que é viajar hoje em dia, as filas, o check in, as revistas para ver se você não é terrorista, as malas desfeitas e refeitas, viajar ainda é das melhores coisas do mundo, e é bom provar agora, já, porque os chineses estão chegando… ( trecho transcrito do livro).
À votre Santé!!!
Fonte> Veuve Clicquot

Esther

Caixa de bombons

Carlos Drummond de Andrade escreveu: ” Há duas épocas na vida, a infância e a velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons”.
Minha pequenez me impede de decifrar Drummond, mas sinto não importar onde a felicidade se encontra e tampouco a época que cruzou nossa vida. Se fomos felizes por alguns momentos ou por um tempo mais longo, é o que importa; ficam as recordações e através delas há o reencontro com a alegria, com o contentamento e com a satistação de termos vivido bem.
Muitas coisas guardamos dentro de nós para o resto de nossas vidas: o colo de nossos pais, o tênis de marca, a roupa da moda, a conquista do sexo oposto, o vestibular vencido, a primeira viagem ao exterior, a realização profissional, o casamento, o primeiro imóvel, o nascimento dos filhos… estas vivências permanecem quietas, parecendo até adormecidas, até que um dia uma caixinha é aberta, um livro antigo folheado, uma foto, uma carta relida e tudo volta a ser; não como antes, mas com a imensa felicidade de termos momentos únicos e só nossos.
Lembram-se da expressão latina Carpe Diem
, colher, gozar o dia, que se tornou mais popular com o grandioso filme, Sociedade dos Poetas Mortos? ” Tornem suas vidas maravilhosas“, dizia o nada ortodoxo Professor John Keaton.
Sim, podemos tornar nossas vidas maravilhosas e brindá-las em todas as fases com caixas de bombons.

Esther

Nestes últimos dias todos nós giramos em torno da nova Lei que passou a vigorar: A Lei Antifumo. Nós, fumantes passivos nos sentimos como um soldado que ao final da batalha deixa-se cair ao chão e fecha os olhos para poder dormir em paz. Os ativos, iniciam nova luta pela liberdade sacrificada.
Somos livres por natureza, mas por precisão, vivemos em sociedade; quando necessitamos sacrificar uma parte desta liberdade
, para o bem estar comum, transgredimos, desrespeitamos, rompemos.Das nossas atitudes nasce a necessidade da Lei.

E como sempre acontece, a Lei é classificada como tirânica pois todo transgressor acredita que sua ação não fere o próximo; além disso ele tem direitos, mas ignora as obrigações e os mesmos direitos dos demais.
Todos nós temos o direito de viver dignamente, mas como suportar a fumaça do cigarro alheio no nosso fettucine? como agüentar os ” Totós” que são obrigados a acompanhar suas donas ás compras? ( fato ocorrido nas lojas Renner do Morumbi Shopping) como resignar-se á companhia de cães em Praças de Alimentação de Shopping Center ?( fato ocorrido no Shopping Market Place) Dia 21, próximo passado, quando voltava para casa, por volta das 16:00 horas, num veículo paralelo ao meu, a motorista trazia no seu ombro um papagaio; bem, se cães podem, porque não papagaios, gatos, ou até um furão para que escape pela janela e cause um acidente. Imagino até a resposta destes motoristas: – ” ele nunca fez isto”.
Gostaria muito de saber o que propor, mas tenho certeza que se houvesse um maior comprometimento das pessoas com as coisas simples de cada dia, acharíamos a fórmula do bem estar comum. Dentro de cada um de nós existem lições para a eternidade e duas destas lições devemos, com certeza, colocar na Lista de Instruções para a Vida.
A minha liberdade termina, onde a sua começa.
Os direitos individuais não podem se sobrepor aos coletivos.

Esther

Alguns dias…

Por duas vezes, ou três, por mês, troco o plano de fundo do computador e a mudança me faz muito bem; gosto de inovar, permutar, substituir.
Esta semana estou no Carnaval de Veneza, com suas máscaras nobres pintadas de branco, suas roupas de seda e seus chápeus de três pontas. São apenas alguns dias vivendo-se do fantástico e logo mais, tudo voltará a ser corriqueiro, habitual; não importa, neste tempo, a vida se enche de boas intenções e as possibilidades se tornam infinitas, pois a alegria toma conta da gente.
Me lembro de Chico Buarque
e seu Sonho de um Carnaval
:

“Carnaval, desengano
Deixei a dor em casa me esperando
E brinquei e gritei e fui vestido de rei
Quarta-feira sempre desce o pano…”

Por que será que a vida é isto mesmo? interrompe alegrias, separa sentimentos, adia decisões. Temos o péssimo costume de acreditar que podemos fazer tudo e, de uma só vêz.

” Existe um tempo para cada coisa
Um tempo para cada projeto sob o sol
Um tempo de semear e um tempo de colher
Um tempo de nascer e um tempo de morrer.”
Palavras de Eclesiastes

Porque a vida tem que ser assim…

Esther

Familia

O mundo parece dividir-se em dois tipos de pessoas. Aquelas, que vivem no passado, fazendo dele um prolongamento ao presente e ao futuro. Outras, que, desprezando o passado e tendo o presente como um tempo de espera, se idealizam no futuro.
Neste tumulto entre passado e futuro as familias acontecem; ninguém sabe ao certo, mas de repente o passado gosta do futuro e o presente une os dois, com amor, paixão e outros sentimentos.
A história se repete, não importando a época e aquela união, desune e algumas mazelas ficam no passado, algumas teimam em ferir o presente e outras são lançadas ao futuro.
Familia é ferida sempre exposta, é espaço vazio que não se preenche; é obrigação soterrando o sentimento e a partida sempre levando vantagem.
Nos casamentos e enterros, eventuais encontros, ainda tentamos ouvir o som das velhas conversas e procuramos nos rostos, hoje desconhecidos, a intimidade de outrora.
Ainda bem que temos Kalil Gibran para nos alentar, nos ensinar e nos mostrar que a familia é tudo o que temos, apesar de tudo.
” A lembrança é uma forma de encontro”.

Esther

Na Veja do dia 15 de julho, próximo passado, Diogo Mainardi escreveu sua crônica: Edna entendeu tudo. Transcrevo dois trechos:1- ” Edna O’Brien foi arrastada a um encontro entre Chico e Hatoum. O que ela afirmou, assim que conseguiu escapar do encontro? Que Chico Buarque era uma fraude. O que ela afirmou em seguida, durante o jantar? Que se espantou com a empáfia e com o desconhecimento literário dos dois autores”.2- ” Chico Buarque está para a literatura assim como Dilma Roussetestá para as teses de mestrado. ou assim como José Sarneyestá para Agaciel Maia. Edna O´Brien passou apenas uma semana no Brasil, mas ela entendeu tudo: neste país fraudulento, o que mais espanta é a facilidade para enganar a platéia, enquanto a batucada continua do lado de fora”.
Srº Diogo Mainardi, com todo respeito a sua carreira de escritor, produtor e crítico da sociedade brasileira, chamar Chico Buarque de fraude é perder a seriedade, requisito indispensável para quem ganha a vida criticando e analisando a obra dos outros. ( trecho publicado pela Veja em 22 de julho). Estou propensa a acreditar que o menosprezo que o senhor sente por si próprio, lhe sirva de inspiração para escrever criticas tão ocas e estúpidas. Se, Edna O’Brien, sua parceira neste besteirol, tivesse ao menos o conhecimento necessário para saber que Chico canta, para mostrar o seu trabalho, exatamente como sentiu ao criá-lo.O senhor tem razão, ” neste país fraudulento a facilidade para enganar a platéia é grande”; suas críticas são exemplos sólidos desta enganação.
Em , Leite Derramado,Chico segue a tradição de seu pai, o sociólogo e historiador, Sergio Buarque de Holanda, descrevendo a formação da sociedade brasileira, separada dos outros paises da América Latina. A respeito do cunho histórico da obra, Chico fez consultas com a antropóloga e professora Lilia Moritz Schwarze a critica literária Leyla Perrone-Moisés, escreveu:- ” é a obra de um escritor em plena posse do seu talento e de sua linguagem. ( texto baseado em Ubiratan Braso).Estamos diante de um escritor de mão cheia, que desde Estorvo, vem alterando o campo de forças da nossa tradição literária. ( palavras de Augusto Massi, professor de lietratura brasileira da USP)
Em, Órfãos do Eldorado, Hatoum teria recebido de sua editora a recomendação que o livro fosse baseado num mito amazônico. O livro foi encomendado a Hatoum devido sua importância literária.
O debate de Chico e Hatoum na 7ª Festa Literária Internacional de Paraty foi o encontro de dois grandes escritores que usando a memória de velhos moribundos, traçaram um panorama histórico do nosso pais. Mais de 800 pessoas disputaram lugar na Tenda dos Autorespara ouví-los; com a sapientia e humildade dos grandes, Chico prestou sua oferenda a Guimarães Rosa,lembrando outro velho, habitante de um casarão, em a Fazedora de Velas.
Mas, isto tudo, com certeza, está muito além do que Edna e Mainardi possam entender.

Esther

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