Dias atrás revi o último Rocky e a cena da luta final é para ser vista, revista, examinada, não pela luta a ser vencida, mas pelo eu a ser entendido e conquistado.
Rocky finalmente vence “ a besta negra que tinha dentro” e alcança sua paz interior o seu “ estado de graça”, como disse Anne MLindbergh,. citando Sócrates em seu livro Presente do Mar. “…ajudaí-me a buscar a beleza interior e fazei com que as coisas exteriores se harmonizem com a beleza espiritual.”
Passamos a vida em busca deste “estado de graça”, mas fingimos não saber onde encontrá-lo; o medo da luta, do soco na cara, do tombo no ringue nos torna em guerreiros sem guerra, numa luta muda contra nossa besta negra.
Em 1932, quando Aldous Huxley escreveu AdMundo Novomirável foi severamente criticado e poucas pessoas entenderam que o que ele dizia era algo mais que ficção científica. Através da sociedade criada por Huxley pudemos perceber como o homem estava sem valores, desumanizado portanto, mas o importante é a revolução que acontece na alma de todos nós, quando reagimos e não aceitamos mais as coisas sem nenhuma reflexão; é o início da morte da besta negra que habita cada um de nós.
Em Filosofia Perene, Huxley escreveu:
“ O homem tem muitas peles em si mesmo que lhe cobrem as profundezas do coração. O homem conhece tantas coisas mas não conhece a si mesmo. Ora, trinta ou quarenta peles ou couros inteiramente semelhantes aos de um boi ou de um urso, igualmente grossos e duros recobrem a alma. Penetre no seu próprio fundamento e aprenda ali a conhecer-se”.
Rocky Balboa você sempre será a melhor das recordações; sua luva de boxe entrou em nossas casas trazendo intimidade, alegria, afinidade, família enfim.
Você me fez chorar, o choro da redenção e do resgate aos tempos bons.
Obrigada Stallone, por não nos deixar á deriva.
Rocky,o garanhão italiano
janeiro 17, 2010 por estheruzeda